Passos
Levemente dava duas voltas com aquela chave. Repetia esse movimento diariamente. Ato que se fazia involuntário. A rotina assim determinava . 48 segundos, contei. " Demorara mais que usualmente." - indaguei, da minha cadeira de balanço situada afronte sua charmosa casa. Fazia - se dessa vez não voluntariarmente? Que pensamentos, aflições haviam naqueles ínfimos 48 segundos em sua vida? Continuei a observar. Seus seguintes movimentos não acusavam mudanças. Mas os 48 segundos, sim. Atravessou a rua. Uma praça, próxima de nossa vizinhança, surpreendia - se com sua presença. Sentou - se em um dos bancos velhos e sujos. Não se incomodava com o estado do assento, nem parecia se incomodar em chegar atrasada no escritório em que trabalhava como copeira. Parecia ocupada com seus pensamentos. Tudo que a rodeava parecia estar inerte. Sentada, longe vagava dali. E, perdia - se. Num labirinto disposto com várias saídas. Passaram - se, aproximadamente, 30 minutos. Levantou - se. E, seguiu em direção ao local de seu emprego. Passos misteriosos. Passos calculistas. Passos temerosos. Passos cronométricos.

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