Não sei porque tenho a mania de olhar além do horizonte, além do ponto indicador dos outrem. É, não sei. Será que sou viajante na terra e nos pensamentos, ou meus pensamentos que viajam? Ou será que sou de outro mundo ou acho que tudo que está dentro do foco dos meus olhos acima do que me é mostrado é mais interessante ? Não sei. Talvez viva de ilusões e fantasias, e sonhos. Ou talvez veja ali as soluções. Não sei. Como se buscasse o inatingível ou algo antes ainda não visto. Quero novidades. Quero mais...sempre mais.
quarta-feira, agosto 29, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
Benção.
Estava sentado no chão de pernas cruzadas, cabelos que se assemelhavam as palhas de um coqueiro. Parecia fazer rituais índios, mas tinha características de um revolucionário alternativo. Era assim que ele o observava enconstado num poste na outra esquina do mesmo trecho da rua dos prefácios. Aguardava uma ligação, e distraia - se com os esquisitos gestos e palavras proferidas por tal indivíduo. Na verdade, aquilo sempre atraia sua curiosidade, os rituais místicos, os ideiais revolucionários e as lutas por um mundo melhor e mais igualitário. Porém, preferia se enganar. Tornava mais fácil, entender que seus interesses por tais assuntos não ultrapassavam sua curiosidade e ficavam ali mesmo, na observação e nas leituras. Conseguiu por um momento, compreender algumas palavras do hippie, e foi se aproximando numa tentativa de melhor escutá - lo. Escutou, e continuou ali, repetindo no inconsciente o que acabara de ouvir. Sorria a beleza que aquilo lhe causara interiormente, pegou um pedaço de papel de uma agenda que carregava e uma caneta. " As pessoas nascidas do fruto de um amor são mais felizes e capazes de amar. As outras, sim também podem amar, mas passam por um processo mais lento, já que surgem na vida sem o sentimento do amor. Esse vai se adquirindo, mas ainda isolado. Aqueles concebidos num berço de amor, já nascem com isso dentro do coração; são esses que irão salvar o mundo e salvar aqueles que não foram abençoados. " Olhou e releu. E pareceu não ver muito praticidade no que aquele homem havia dito, mas talvez ele tivesse razão. Procurou, então, a partir dali, ser mais cordial e carinhoso com todos, e pensou que sim, ele havia sim nascido de um amor e que tinha a missão de compartilhá - lo, com aqueles que não haviam. E seguiu..telefone tocou....
quinta-feira, agosto 02, 2007
As ruas, esquinas da cidade. Sei do que estou falando. Garotos a pedirem um pedaço de pão, mas são as pedras que estão queimando. O corpo frio e suado, as marcas das noites viradas estampadas nos rostos cadavéricos. Mas se sorriem, estas ainda reluzem da mais doce e sábia fase da vida; a infância. Não, não ainda fora perdida. Talvez esquecida. E assim, eles também se sentem, esquecidos. Esquecendo - se de si mesmos por final. Lembrando de sensações fisiológicas no grosso e largo trago da madrugada. Traz isso, sentimento de vida, mas não de vivência. É o estar naquele momento, e não o estando. Consumindo a sua própria lembrança de que é apenas uma criança..
