vida . paradoxal

Parábola, Pára - brisa, Pára - choque, Pára - lama, Pára - quedas, Pára - raios. Paradigma, Paráfrase, Parafrasear. Contraditório. Paradoxo.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Família

" Brenda, amanhã temos que nos reunir para tratar do trabalho ..." - toca o telefone móvel nesse momento. Paula para de desferir suas palavras, sem concluir sua conversa. Brenda aguardou que sua colega universitária terminasse sua ligação. Atendera ali mesmo a sua frente. " Alô?" - disse. E não demorou muito para que sua companheira de sala de aula notasse uma mudança em suas feições. Escorria uma relutada e pesada lágrima. Aquela, viu- se preenchida pelo sentimento de curiosidade e, logo pressionada a agir. Mas conteve- se sem reação. Paula já não podia esconder. Algo pertubava, mas seu rosto transparecia conformação. " Tchau, amiga. Amanhã resolvemos isso. " - disse, desviando encontrar seu olhar no de sua colega. Brenda quis respeitá - la, apenas respondeu concordando. Voltou para casa caminhando, cabisbaixa, pensativa e sem derramar mais lágrimas. À três quadras dali, Benício, seu irmão, aguardava - a na porta de casa. Ele a avistou, quis adiantar o encontro se aproximando dando passos em direção a ela, que agora também apressava seus passos. Abraçaram - se, fervorosamente. Paula sussurrando: " Eu esperava por isso. Estou conformada." . Olharam - se. Os olhos de ambos brilhavam feito cristais. Deram - se as mãos e entraram em casa. Lá, Margarida deitada se rebelava contra suas crenças, não compreendendo porque haveria de passar por tanta dor e decepção. Contaria agora com toda a ajuda de seus filhos para superar. E superaram.

sábado, outubro 07, 2006

Passos

Levemente dava duas voltas com aquela chave. Repetia esse movimento diariamente. Ato que se fazia involuntário. A rotina assim determinava . 48 segundos, contei. " Demorara mais que usualmente." - indaguei, da minha cadeira de balanço situada afronte sua charmosa casa. Fazia - se dessa vez não voluntariarmente? Que pensamentos, aflições haviam naqueles ínfimos 48 segundos em sua vida? Continuei a observar. Seus seguintes movimentos não acusavam mudanças. Mas os 48 segundos, sim. Atravessou a rua. Uma praça, próxima de nossa vizinhança, surpreendia - se com sua presença. Sentou - se em um dos bancos velhos e sujos. Não se incomodava com o estado do assento, nem parecia se incomodar em chegar atrasada no escritório em que trabalhava como copeira. Parecia ocupada com seus pensamentos. Tudo que a rodeava parecia estar inerte. Sentada, longe vagava dali. E, perdia - se. Num labirinto disposto com várias saídas. Passaram - se, aproximadamente, 30 minutos. Levantou - se. E, seguiu em direção ao local de seu emprego. Passos misteriosos. Passos calculistas. Passos temerosos. Passos cronométricos.