vida . paradoxal

Parábola, Pára - brisa, Pára - choque, Pára - lama, Pára - quedas, Pára - raios. Paradigma, Paráfrase, Parafrasear. Contraditório. Paradoxo.

quarta-feira, julho 19, 2006

Invisível aos olhos .

Jovem, corpo atlético, estatura mediana, sempre carregava uma mochila velha nas costas e uma bíblia sagrada na mão direita. Encontrava - se com seu grupo de amigos numa esquina próxima de casa. Todos, aparentemente, responsáveis, educados e bons filhos. Ontem, descobri que este mesmo juvenil tocava guitarra e sempre recebia em sua casa visitas em horários esporáticos, às vezes daqueles mesmo amigos, às vezes outros e outras. Só uma coisa pertubava. A bíblia. Não freqüentava cultos religiosos nem mesmo suas reuniões pareciam tratar de assuntos dogmáticos. Num desses casuais encontros, aproximei - me e com olhos gritantes de curiosidade entrei pela porta da frente sem mesmo mover meus pés. Haviam quadros pela sala, feitos pelo próprio inquilino da charmosa e aconchegante casa. Da janela, transportei - me para o meio da sala, sentando - me ao lado de um belo camarada com traços orientais. Cantavam, bebiam, sorriam. Agradecia a Jesus por aquele momento. Sentados sobre o chão, avistei ali, por entre a roda que faziámos e por entre garrafas e cinzeiros, o tal livro sagrado. Somente eu, que vivia fora dessa virtualidade restrita, agora sabia a realidade. Aquele que era visivelmente católico não passava de um caótico herege. Os cigarros eram enrolados pela fina seda sagrada do livro santo. Êxodo 8:2, nessa página aberto e descuidado se apresentava. Saí. E voltei aos encontros , ainda. Hoje será às 23: 32 horas.

domingo, julho 02, 2006

À mesa

Gotas aumentavam sua frequência de queda na atmosfera. Congestionamentos veiculares, corridas de pedestres não precavidos nas ruas, pareciam também de uma forma corrrelata acompanhar essa frenética mudança temporal. Na esquina da rua São Vicente com a rua da Esperança, havia um restaurante. Lá estava João. A água que escorria no asfalto, era a mesma q lavara seu rosto, seus braços, suas mãos. Pediu à garconete uma toalha. Essa lhe trouxe. Despejou, assim, o líquido que já estava lhe causando calafrios, no felpo absorvente. Saiu ingratamente. E vagando, agora sob chuvisco, pensou no crime executado. Sua sacola, nesta hora, pesava toneladas. Seu corpo suado, não molhado, recusava seguir em frente. A consciência, mesmo equilibrada, fazia dar passos numa progressão crescente. Bate à porta. Sua filha o recebe com um inocente abraço. Gotas caem de seus olhos. A pequena garota, não entendia. Mas escutava. Era o pulsar do coração paterno, que soava como uma canção de ninar. Bia, enxuga os olhos de João. Beija - o. " Refeição está na mesa " - Marisa grita. Todos se recolhem à mesa. Eram 3. Eram uma família. Eram cúmplices. Eternos.